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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

'Vaca Profana' é bloco feminista que reúne até homens em Belo Jardim

Além da brincadeira, grupo busca conscientizar sobre os problemas sociais.
Próximo desfile da Profana vai contar com apresentação do grupo Conxitas.


Adilza Silva e Danielle Navarro são algumas das integrantes do bloco. (Foto: Divulgação/ Vaca Profana)
Adilza Silva e Danielle Navarro são algumas das organizadoras do bloco. (Foto: Divulgação/ Vaca Profana)

bloco “Vaca Profana” é organizado desde 2011 por mais de 20 mulheres de Belo Jardim, no Agreste pernambucano, e reúne mais de mil pessoas nos períodos carnavalescos. A referência não poderia ser mais convidativa, é uma música de Caetano Veloso: “Respeito muito minhas lágrimas/ Mas ainda mais minha risada/ Inscrevo, assim, minhas palavras/ Na voz de uma mulher sagrada/ Vaca profana, põe teus cornos/ Pra fora e acima da manada”.
Na folia, Vaca Profana dá espaço ao Boi da Gente e à Burrinha. (Foto: Divulgação/ Vaca Profana)Na folia, Vaca Profana dá espaço ao Boi da Gente e
à Burrinha. (Foto: Divulgação/ Vaca Profana)
Com este verso, além de brincarem pelas ruas da cidade, os foliões de várias idades, orientações e crenças proclamam diferentes motes. Em 2013, o grupo distribuiu aproximadamente 2.000 cartilhas sobre Lei Maria da Penha e, neste ano, a ideia é trazer reflexões sobre uma sociedade mais justa, em todos os setores. O próximo encontro da Vaca está marcado para o dia 23 de fevereiro, a partir das 16h, na Praça da Bandeira, com o grupo de percussão Conxitas, formado por mulheres da capital pernambucana. O evento é gratuito.
Também estão confirmadas as participações dos folguedos Boi da Gente, Muriçocas da Boa Vista e Besouro Verde e o bloco do Zé Pereira. Aos risos, em meio aos folguedos ainda são destaques Carmelita Regina, de 65 anos, e Marcílio Silva, de 66. Segundo ela, não há cansaço para o casal, que acompanha desde a primeira edição o trajeto de Profana, sem nem se importar com este nome ou o preconceito que possa haver. “Eu gosto é de brincar e quem vir falar que não gosta da Vaca, eu boto logo pra trás”, contou.
Conxitas participam de ensaio em Pernambuco (Foto: Divulgação/Passarinho/Prefeitura de Olinda)Formado apenas por mulheres, o Conxitas estará
na folia. (Foto: Passarinho/Prefeitura de Olinda)
Criação e conscientização
É comum no interior do estado haver os descendentes do “Bumba Meu Boi”, como o Boi da Macuca, em Correntes, e o Boi da Gente, existente em Belo Jardim há sete anos. Em 2011, as brincantes Bruna Brayner e Adilza Silva participavam da organização deste segundo e tiveram a ideia de desconstruir e reconstruir a figura do folguedo. Junto a outras incentivadoras e feministas, pensaram em nomes para uma vaquinha. Surgiram opções como Patrícia Galvão (a jornalista Pagu), Rosa Luxo (referência à filósofa e revolucionária Rosa Luxemburgo) e Estrela (da música “Vaca Estrela e Boi Fubá”, de Patativa do Assaré). Venceu, porém, aquela composição de Caetano.
Recentemente, mulheres que atuam como psicólogas, enfermeiras, pedagogas e professoras, dentre outras profissões, formam o “Vaca Profana”. De acordo com Adilza Silva, professora de História de 51 anos, a nova ideia é “institucionalizar e legalizar o grupo para a defesa das mulheres durante o ano inteiro, com debates e oficinas”. Para ela, o preconceito é tão grande que afeta até áreas cujo preconceito não deveria existir. “Belo Jardim é conhecida como a Terra dos Músicos e todo ano se tenta organizar uma orquestra local formada por mulheres, mas as bandas desmotivam as meninas a tocarem instrumentos”.
Vaca reciclada
A vaca é reciclada, feita em papel machê, e todo ano recebe adereços novos. Inclusive, maquiagem nova, desde 2012. Nesse ano, o artista plástico Adônis Valença pintou a “cara” da Profana e, em 2013, foi a vez de Antônio Marcos. A pintura da próxima edição será feita, pela primeira vez, por uma artista: Luzia Monte. “Uma forma de valorizar os artistas da cultura local”, ressalta Adilza Silva.
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Organização estima que mais de mil pessoas participam do bloco. (Foto: Divulgação/ Vaca Profana)Organização estima que mais de mil pessoas participam do bloco. (Foto: Divulgação/ Vaca Profana)









Jael Soares
Do G1 Caruaru

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