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domingo, 16 de fevereiro de 2014

João Lyra e Fernando Bezerra, uma união estratégica

Com pouca chance de encabeçar a chapa, vice e ex-ministro fazem aliança informal enquanto aguardam sinal de Eduardo


Atributo valorizado em qualquer profissão, a experiência não é um predicado que esteja exatamente em alta na Frente Popular, conjunto de partidos que sustenta o governo Eduardo Campos (PSB). O governador – condutor do processo sucessório em Pernambuco – está trabalhando para colocar no centro do debate uma outra linhagem de políticos à sua imagem e semelhança: jovens gestores. Um exemplo recente é o prefeito do Recife, Geraldo Julio, cuja marca de campanha foi um capacete.

Eduardo deseja apresentar seu candidato como um genuíno representante da nova política. Por isso, circula nos bastidores a informação de que estariam fora de jogo o ex-ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra Coelho e o vice-governador João Lyra Neto.

A informação é que eles não seriam capazes de simbolizar, no âmbito local, o que o governador pretende defender na seara nacional. Coincidência ou não, ambos estão bem próximos, numa espécie de aliança informal.

Mas a “nova política”, segundo uma definição do governador, é uma prática voltada para um comportamento político comprometido com os anseios populares, uma postura correta na aplicação dos recursos públicos e um Estado que invista na melhoria dos serviços oferecidos à população.

Não há nessa definição nenhuma citação à idade daqueles que possam representar essa forma de fazer política ou ao tempo de atuação na área. Mas o que afasta Lyra e FBC do páreo é o desejo de Eduardo de contemplar alguém que o tenha como referência.

Diante desse cenário, apesar de não trabalhar com a possibilidade de um desses dois correligionários figurar como candidato a governador, será complicado para Eduardo explicar a ambos o por quê de os dois não se encaixarem na vaga.

João Lyra e Bezerra Coelho têm perfis que guardam algumas semelhanças: ambos têm raízes políticas no interior e estão na política há mais de três décadas. João Lyra é de Caruaru, no Agreste. Bezerra Coelho, de Petrolina, no Sertão.

RAZÕES
Os dois voltaram a se encontrar, semana passada, em São Paulo. Eles aguardam uma conversa com Eduardo para ouvir a justificativa para serem rifados do processo. Lyra já está assumindo o comando da transição do governo, já que Eduardo anunciou que deixa a gestão em abril. Muitos o consideravam como o candidato natural, já que ele assumirá o governo. Mas, politicamente, Lyra não conseguiu nesses sete anos se firmar como o sucessor de Eduardo.

Bezerra Coelho tem como única alternativa tentar uma vaga para o Senado Federal, especialmente agora que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) desistiu da reeleição. Em 2010, quando Humberto Costa (PT) e Armando Monteiro (PTB) foram os candidatos a senador pela Frente Popular, FBC também pleiteava a vaga. Posteriormente, acabou contemplado com a indicação para o Ministério da Integração.

Duas figuras relevantes do PSB devem sofrer revés com a finalização da chapa majoritária. A semana que vem deverá ser marcada pelo anúncio do escolhido, visto que é necessário ao candidato aparecer ao lado do governador já na semana pré-carnavalesca.

NE 10

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