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Em Caruaru, UFPE forma primeira turma da Licenciatura Intercultural Indígena

Neste sábado, cerimônia será realizada no Polo Comercial de Caruaru, Agreste
turma de professores indígenas formados na UFPE
Por Cecília Morais
O Centro Acadêmico do Agreste (CAA) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) realiza, neste sábado (14), às 17h, a solenidade de colação de grau da primeira turma de Licenciatura Intercultural Indígena. Os 152 concluintes são professores indígenas que lecionam nos ensinos fundamental e médio em tribos no interior de Pernambuco, mas não tinham formação superior. A cerimônia será realizada no Polo Comercial de Caruaru.
Lucinéa Santos da Silva, de 36 anos, da aldeia Ororubá, de Pesqueira, também no Agreste, é umas das alunas que compõem a turma de professores. "A festa irá marcar uma etapa importante nas nossas vidas. É o momento em que percebemos que conseguimos algo que parecia impossível", conta.
O curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Centro Acadêmico do Agreste (CAA) foi criado em 2009. Destinado à formação em nível superior de professores de escolas indígenas, foi implantado por meio de um projeto do Ministério da Educação (MEC) e envolve várias etnias do estado, como Atikum, Pankararu, Fulni-ô, Kambiwá, Kapinawá, Truká, Xucuru e Pankará.
Com aulas presenciais na faculdade e nas aldeias, a graduação visa formar professores indígenas nas áreas de arte e linguagem, ciências da terra e natureza e ciências humanas. A ideia é que os professores passem agora a atuar nas próprias comunidades, trabalhando para fortalecer e preservar a identidade cultural dos povos.
Lucinéa (Foto: Arquivo pessoal)Lucinéa é uma das alunas concluintes do curso
(Foto: Arquivo pessoal)
Segundo Lucinéa, a experiência adquirida é importante na formação dos alunos da tribo. "Tudo o que foi aprendido será colocado em prática e irá melhorar o desempenho e auxiliar na aprendizagem dos índios", afirma.
De acordo com o diretor do Campus Caruaru da UFPE e um dos coordenadores do curso, Nélio Melo, a implantação da graduação teve alguns desafios. "O processo de inserção do curso na grade não foi fácil. A ideia nunca foi transformar a cultura indígena em uma cultura acadêmica e, para isso, foi necessário tratar de forma delicada o que ia ser ensinado para que não houvesse um conflito de realidades", explica.
Também foi necessário selecionar professores envolvidos com a luta dos povos indígenas e que tivessem trabalhos específicos na área. Para o cacique da aldeia Xucuru, Marcos Luidson, a entrada dos índios na universidade foi vista como um avanço na conquista dos direitos. "Com outros recursos talvez não consigamos chegar tão longe, mas a educação como ferramenta pode ser o caminho para a solução das demandas do povo. Além disso, queremos a ascensão educacional da nossa comunidade e a qualificação é fundamental", afirma o líder indígena.
Choque cultural
Um outro desafio conquistado ao longo do curso foi a harmonia cultural entre os índios e os demais alunos da universidade. Segundo o diretor da instituição, no início houve alguns desentendimentos que depois foram superados. "Os índios têm uma maneira própria de se portar. Quando aceitaram participar do curso, deixaram claro a forma como agiriam. A ideia era que eles tivessem um contato com outra realidade mas sem abandonar as crenças e costumes. Para os outros alunos que nunca tinham convivido com essa realidade, o estranhamento era total", detalha Nélio Melo.
De acordo com o professor indígena, José Agnaldo Gomes Souza, de 44 anos, que participou do curso, a presença deles na faculdade chamava a atenção. "No começo foi estranho, houve discriminação, frases preconceituosas, mas depois a convivência foi ficando pacífica."
De acordo com Nélio Melo, a capacitação faz bem para todos. "Há uma troca de cultura entre eles e isso é muito bom para distorcer a ideia de diferença racial apregoada há anos. Estava ciente de que precisava atender a uma demanda histórica. É direito do pobre, índio, negro ou qualquer pessoa fazer uma faculdade e sinto que, com esse curso, conseguimos abrir um mundo para os que foram eternamente excluídos", afirma o diretor.
Vestibular
A seleção para a segunda turma da licenciatura com 160 vagas está em andamento. De acordo com o cronograma do vestibular, o período para impressão do Comunicado de Confirmação de Inscrição (CCI), de responsabilidade do candidato, pelo site da Covest, vai de quarta-feira (18) até sábado (21) da próxima semana. As provas acontecem no domingo (22) e o resultado está previsto para ser divulgado no dia 7 de outubro.
FOTO: SECRETARIA ESTADUAL DA EDUCAÇÃO/DIVULGAÇÃO
 Fonte: G1/Caruaru
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Luiz dos Santos Silva, nascido em 23/05/1978 na cidade de Brejo da Madre Deus-PE. desde 1998 que moro aqui na cidade de Belo Jardim-PE onde participei do movimento estudantil, sou Formado em Geografia pela FABEJA e estou Conselheiro Tutelar Gestão 2009/2011.Casado pai de duas filhas Laís e Lívia.

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