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segunda-feira, 11 de março de 2013

Jovem boxeador cometeu um crime há cinco anos, encontra-se preso desde então, mas está encontrando no MMA uma oportunidade para reconstruir sua trajetória

BELO JARDIM - O I Belo Jardim Fighting Championship reuniu dezenas de lutadores especializados nas artes marciais mistas (MMA) neste fim de semana, no município de Belo Jardim, Agreste de Pernambuco. Mas um atleta em especial chamou a atenção dos organizadores e espectadores do evento. Leandro Henrique dos Santos Cabral, um jovem de 24 anos, recluso há pelo menos cinco na Penitenciária Desembargador Augusto Duque, de Pesqueira, cidade localizada também no Agreste, recebeu autorização judicial para poder participar do campeonato. O jovem, que cumpre pena por homicídio, em regime fechado, contou com o empenho dos pais e da direção da penitenciária para poder estrear em disputas.

Aguinaldo Lima
No último sábado, Leandro Henrique (calção azul), de 24 anos, foi liberado para participar do I Belo Jardim Fighting Championship, no interior do Estado


Na noite do último sábado, Leandro chegou ao Ginásio do Colégio Diocesano escoltado por um grupo de agentes. Visivelmente ansioso, fez questão de comentar com todos que o cumprimentavam o quanto estava feliz com a oportunidade. “Eu sempre gostei de lutas, desde criança praticava com meu irmão. Treinava nas academias e era muito bom na luta de braço”, contou. Como uma continuidade dos treinamentos e da participação em campeonatos, o jovem resolveu se dedicar ao boxe. “Me identifiquei muito com a modalidade. Sempre fui disciplinado na escola e em casa, mas era explosivo. O boxe me ajudava a descarregar a raiva e a ser paciente. Ganhei mais de 15 campeonatos”, comentou Leandro.

Com apenas 19 anos e no auge da sua dedicação ao boxe, ele cometeu um crime que o afastou das artes marciais. “Passei o dia todo bebendo com um grupo de pessoas, e tinha um cara que, vez por outra, me elogiava e, num certo momento, ele me deu um ‘selinho’ na boca. Eu, muito embriagado, não consegui segurar minha raiva e soquei o rosto dele. Só parei quando percebi que ele tinha morrido”, relatou. Leandro não tinha antecedentes criminais. “Foi meu único erro, mas pago por ele até hoje. Atrapalhei minha carreira, destruí duas famílias. Deus sabe como me arrependo”, completou.

A tragédia não impediu que Severino Cabral da Silva, pai de Leandro, desistisse do filho. Ele pediu a autorização da direção da penitenciária para continuar treinando o filho. Com a permissão, Cabral improvisou uma mini-academia, numa sala da instituição, com tatame, saco de boxe e alguns aparelhos de musculação. “Ele cometeu um crime e está pagando por ele. Mas não vou desistir dele. O tempo ocioso dele vai servir para se aperfeiçoar na luta. Estamos focando no MMA, modalidade que está crescendo muito. Uma vez por semana, levo meu outro filho e mais três atletas da academia onde ele ia, para treinar jiu-jitsu com Leandro na penitenciária”, explicou Cabral.

Fã de José Aldo, Leandro não esconde a vontade de um dia se tornar um campeão. “Me identifico com a história dele, quero ganhar no octógono e na vida. Recebi uma pena de 20 anos, mas depois de oito, posso passar para o regime aberto. Faltam três anos e espero ansioso. Quero voltar a dar alegria a minha família. Nunca vou esquecer do apoio deles e da direção do presídio. Eles acreditam em mim e não vou decepcioná-los”, afirmou. Leandro lutou os três rounds. Foi derrubado várias vezes e tornava a levantar. A decisão foi para os pontos, que deram vitória para o oponente. “Não vou desistir. Vou melhorar. Um dia eu volto a ser um campeão”.


Folha-PE
 

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